Os ministros de Relações Exteriores do Brasil, Irã e Turquia se reunirão em Istambul no domingo para discutir um acordo de troca nuclear que foi aprovado pelos três países em maio, disse à Reuters um representante do Ministério de Relações Exteriores turco neste sábado.
Sob o novo acordo alcançado em Teerã, o Irã concordou em enviar parte de seu urânio ao exterior, retomando um plano esboçado pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de manter o trabalho nuclear da República Islâmica sob fiscalização.
O acordo não conseguiu impedir uma nova rodada de sanções imposta por ONU, União Europeia e Estados Unidos. Mas o ministro de Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, disse neste mês que ainda acreditava na chance de o Irã realizar a troca baseada no acordo.
Davutoglu irá primeiro se reunir e realizar uma entrevista coletiva conjunta com o ministro brasileiro, Celso Amorim, às 5h (horário de Brasília) no domingo, segundo o representante do Ministério de Relações Exteriores turco.
Em seguida será realizada uma reunião conjunta com o ministro de Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki. Não ficou claro se eles concederiam mais uma entrevista coletiva.
O Ocidente teme que o Irã esteja trabalhando para desenvolver uma arma nuclear, alegação que Teerã nega, dizendo que seu programa nuclear tem objetivos pacíficos.
Sob o acordo de maio, o Irã concordou em transferir 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento (LEU, na sigla em inglês) à Turquia dentro de um mês e em troca receber, no prazo de um ano, 120 quilos de urânio enriquecido a 20 por cento, usado para um reator nuclear para pesquisas médicas.
Diplomatas dos países ocidentais disseram que a retirada de 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento do Irã --quantidade suficiente para produzir uma arma nuclear se for altamente enriquecida-- era menos significativo do que quando foi proposta inicialmente porque o estoque de LEU havia quase dobrado nesse meio tempo.
O Conselho de Segurança da ONU impôs uma quarta rodada de sanções ao Irã no dia 9 de julho. Brasil e Turquia votaram contra, irritados com a negligência ao seu acordo que, segundo eles, tornava as sanções desnecessárias.
O Irã disse estar preparado para retornar às negociações, há muito tempo congeladas, com as potências mundiais sob certas condições, e não antes do final de agosto.
(Reportagem de Tulay Karadeniz)

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